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Anche dal Brasile intervistano Vladi per le vicende di Sochi

Un’intervista uscita domenica sul giornale sportivo brasiliano UOL Esporte
conferma l’interesse mondiale per le proteste di Luxuria a Sochi

Ecco l’articolo-intervista integrale (in brasiliano)

A transexual italiana e ex-deputada Vladimir Luxuria foi expulsa da Rússia na última terça-feira e se tornou “persona non grata” no país, após ter sido presa duas vezes na cidade de Sochi, durante os Jogos Olímpicos de Inverno, porcarregar um cartaz pelas ruas da cidade com a frase “Gay é OK”, escrita em russo. Ela afirma estar proibida de voltar ao país.

A ex-parlamentar diz ter sido tratada com rispidez pela polícia russa, que teria empurrado e puxado bruscamente a italiana pelo braço.

Em entrevista por telefone ao UOL Esporte realizada na última sexta-feira, Luxuria afirmou que foi a Sochi para protestar contra uma lei aprovada no ano passado na Rússia. que proíbe a divulgação de “propaganda gay” entre menores de idade. Críticos da lei afirmam que a norma é discriminatória contra os gays e incentiva a violência contra homossexuais.

Vladimir Luxuria disse também que só foi solta e levada ao Aeroporto de Moscou para voltar à Itália depois que o consulado italiano em Moscou entrou em contato com as autoridades policiais da Rússia. “Se não fosse isso, eu poderia estar lá presa até hoje”, afirmou a ex-deputada. OUOL Esporte tentou entrar em contato com a Embaixada na Rússia no Brasil na última sexta-feira, mas não obteve sucesso até a publicação desta reportagem. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

UOL Esporte: Em quais condições ocorreu a prisão?

Vladimir Luxuria: Na verdade, eu fui presa duas vezes. Na primeira, eu estava carregando um cartaz com a frase “Gay é OK” em russo, e fui abordada por dois policiais que foram cordiais comigo. Eles me levaram para um prédio da polícia e me mantiveram em uma sala com pouca luz por três horas, alegando que estavam esperando uma pessoa que falasse inglês, para conversar comigo. Depois, me disseram que manifestações políticas estavam proibidas em Sochi durante os Jogos Olímpicos e me soltaram, ordenando que eu não carregasse mais cartaz nenhum pelas ruas.

UOL Esporte: E como foi a segunda prisão?

V.L.: Bom, eu continuei frequentando o Parque Olímpico com o cartaz. Percebi que, desde que tinha sido solta, estava sendo seguida por policiais à paisana. Quando estava voltando para o hotel, único momento em que fiquei sozinha, eles aproveitaram para me prender, me empurraram e puxaram pelo braço, que está doendo até agora.

UOL Esporte: E o que aconteceu depois?

V.L.: Fui levada para o mesmo prédio da polícia que me levaram da primeira vez e disseram que eu estava formalmente presa. Depois, permitiram que eu fizesse um telefonema. Eu liguei para uma amiga, que entrou em contato com o consulado italiano. Foi só depois que as autoridades italianas ligaram para o chefe da polícia de Sochi que resolveram me soltar.

UOL Esporte: E então você resolveu deixar o país?

V.L.: Não. Eles disseram que eu havia me tornado “persona non grata” na Rússia, e que deveria deixar o país imediatamente. Então, fui levada para o hotel onde eu estava hospedada para pegar minha bagagem. Havia muitos jornalistas lá, mas os policiais não permitiram que eu conversasse com ninguém. Eu fiz a minha mala e voltei para o carro da polícia, que me levou direto para o Aeroporto de Moscou. Tive que comprar minha passagem de volta para a Itália e fui expulsa da Rúsia.

UOL Esporte: Você se arrepende de ter ido a Sochi?

V.L.: Não, acho que a violência e a discriminação devem ser combatidas em qualquer lugar onde existam, longe ou perto.